Ilha Bela – Praia do Jabaquara e Castelhanos

Ilha Bela fica localizada no litoral norte de São Paulo, com acesso através de barca que sai do porto de São Sebastião.

Em São Paulo, quem faz esse trecho é a Litorânea, e como possuia uma passagem cortesia que “ganhei” da empresa (na verdade, resultado de uma reclamação no SAC), resolvi embarcar para lá com a magrela. Tralha organizada e magrela com suspa, pois iria fazer dois percursos em terra na Ilha, parti para a Rodoviária Tietê.

Tralha organizada e bora pedalar!

Tralha organizada e bora pedalar!

Para essa viagem, estava levando a uma barraca Bivak I, da Trilha & Rumos, muito boa por sinal. Ela é leve, pesando cerca de 1,6kg, vem com estacas em alumínio e é feita com um material de qualidade, que suporta bem chuvas e ventos moderados. O lado ruim é que parece um caixão, com relação ao espaço interno, pois cabe você, sua mala e ninguém mais. Mas é uma excelente opção para viagens de bike, onde o peso e o espaço são itens importantes. Chegando na rodoviária, fiz o mesmo esquema da viagem anterior, desmontei a roda dianteira e selim, papelão nas laterais, guidão alinhado com o quadro e capa de chuva por cima. Quando desembarquei em São Sebastião, o motorista nem fazia ideia do que eu estava levando, pensou que era uma prancha, rsrs.

A caminho do camping, há a vista do mirante, que me brindou com esse lindo pôr-do-sol...

A caminho do camping, há a vista do mirante, que me brindou com esse lindo pôr-do-sol…

Conhecia um pouco da Ilha Bela, em outras viagens que fiz, e ia ficar no camping Pedra do Sino, que fica na praia de mesmo nome. Com relação a campings, há poucas opções nessa parte da Ilha e os valores são um pouco salgados em alguns locais. Apesar disso, o camping Pedra do Sino é um ótimo local, com um amplo espaço para armar barracas, diversos banheiros e áreas para cozinhar, além de limpo e organizado. Armei a barraca, coloquei as coisas para dentro, comi alguma coisa e fui dormir, pois a ideia era levantar cedo no dia seguinte e fazer a trilha até a Praia do Jabaquara.

A caminho da Praia do Jabaquara...

A caminho da Praia do Jabaquara…

 

A trilha que leva a praia do Jabaquara é, na verdade, a estrada que liga as duas pontas da Ilha. Saindo do Camping, é só seguir à direita, e passando pela praias do Pinto e Armação, o asfalto dará lugar a uma estrada de terra. Da praia do Sino até lá são cerca de 9km.

A parte de terra tem umas boas subidas, curtas mas íngremes, então guarde as energias e tente manter um ritmo moderado. O trecho de terra tem também uma bela vista, aproveite para desfrutar do visual. Quase chegando no Jabaquara, há um senhor que vende um delicioso caldo-de-cana, o Seu Antonio,79, nascido em Ilha Bela. Não deixe de recarregar as energias e bater um papo com esse simpático senhor, conhecedor de histórias incríveis sobra a Ilha.

Seu Antonio, o melhor caldo-de-cana da Ilha e acompanhado de boas histórias!

Seu Antonio, o melhor caldo-de-cana da Ilha e acompanhado de boas histórias!

Praia à vista!

Praia à vista!

Vencidas as ladeiras de terra, você chegará até um ponto onde existem alguns estacionamentos. É só pegar a entrada a esquerda nesse ponto e descer até a praia, e indo de bike não tem pedágio, estacionamento, flanelinha, somente sombra e água fresca, ;D!

Não deixe de levar repelente, pois como dizem na ilha, os mosquitos picam até debaixo d’água!

Na praia há alguns quiosques que vendem água e outras bebidas. Refeições não vi se vendiam.  Descansei um pouco, tomei um banho de mar e aproveitei para tirar algumas fotos do local, que é bem bonito. A praia do Jabaquara é relativamente curta e com águas calmas, rodeada pela mata e algumas casas de moradores.

Praia do Jabaquara

Praia do Jabaquara

Praia do Jabaquara

Praia do Jabaquara

Devido ao percurso ser curto e se for feito pela manhã, sobra tempo para aproveitar bem o restante do dia.

Voltei para o camping e aproveitei para ir até o centro da Ilha, fazer algumas compras e preparar uns lanches para a pedalada do dia seguinte.

Levantei cedo neste dia, pois iria pedalar até a Praia de Castelhanos, do outro lado da ilha. O total do percurso, ida e volta, é de aproximadamente 44km em terra, saindo do nível do mar e chegando na casa dos 700m na metade da estrada.

Com certeza, paguei meus pecados nesse dia.

Antes de fazer o percurso, me informei com alguns moradores sobre as condições da estrada, pois já havia lido relatos de que a mesma pode ficar intransitável em épocas de chuva. E então fiquei sabendo de que o governo estava fazendo obras de melhoria na estrada, algo que pude constatar depois durante o trajeto e que também haviam rumores sobre um possível asfaltamento da estrada, o que a meu ver, teria consequências drásticas na região, sob o ponto de vista ecológico. O turismo é uma faca de dois gumes e é preciso muito cuidado ao tomarmos certas decisões acerca do espaço em que vivemos.

Começei então a subida partindo do centro de Ilha Bela. É só seguir as placas e perguntar aos moradores que você chegará até a portaria do Parque. Há um limite de horário para uso da estrada e, se não me engano, uma pausa de uso para veículos (não sei como é para bikes), então é bom sair bem cedo, antes das 7h da manhã, se possível.

A subida é brava, então suba num ritmo tranquilo. Lembre-se, você terá que voltar pedalando. Não hesite em parar para descansar. Além dessa, há outras sinalizações que parecem ter sido colocadas com esta reforma da estrada, como placas de consciêntização sobre o uso da mesma.

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Respeite!

Quando fiz esse trajeto, cruzei com poucos veículos pelo caminho, talvez em parte pelo tempo nublado que fez naquele dia. Depois de uma boa subida, e uma descida idem, chega-se a Praia dos Castelhanos. O lugar é belíssimo, com uma praia bem extensa e cercada pela mata. Há uma comunidade de pescadores que mora no local e inclusive algumas crianças do vilarejo ficaram encantados com a minha humilde magrela. “Nossa, que legal essa buzina!” disseram e no mesmo instante ofereci a bike para que dessem umas voltas. Fiquei feliz do pequeno contato que fiz com aqueles jovens moradores e pensando como seria viver tão distante de uma selva de pedra como São Paulo. Conheci uma ponta da praia e na conversa com as crianças, descobri que havia uma cachoeira por lá. Bem, só restava visitá-la.

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Faltou um aviso: “USE REPELENTE”

 

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Praia de Castelhanos

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Cachoeira do Gato

Do lado esquerdo de quem chega em Castelhanos, há a entrada da trilha para a Cachoeira do Gato. A trilha é bem sussa, e estava bem demarcada quando fui. Só precisa prestar atenção em um ponto com pedras, que acaba camuflando um pouco a continuação da trilha. Quando percorri a trilha, encontrei vários grupos com guias, provavelmente de passeios que saem do centro de Ilha Bela. Ah, e um detalhe importante, nem pense em levar a magrela na trilha para a Cachoeira, a não ser que você queira carregá-la nos braços cerca de 80% do trajeto. Deixei a minha num quiosque na beira da Praia.

A cachoeira possue uma queda d’água relativamente grande, onde se forma uma piscina natural excelente para banhos. Após tomar um revigorante banho e, como não poderia deixar de faltar, inventei de dar um salto acrobático para chegar num deck de madeira que fica no local e como uma jaca que cai de uma altura de 10m, me esborrachei no chão (ufa, ninguém viu). Hora de voltar para o camping.

A volta, como é possível observar no registro de elevação acima, é mais ingreme que a ida. Em alguns trechos não consegui subir pedalando, pois bike patinava e tive que descer pelo menos umas três vezes para empurrar a magrela.

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Haja paçoca para enfrentar tanta subida!

Numa certa parte do caminho, encontrei um ponto com água e aproveitei para encher a caramanhola. Um item muito importante nessas horas é ter um comprimido para purificar a água, como os da marca Clor-in.

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Clor-in ou ascaris lombricoides? DECIDA!

Nas descidas, fique atento com veículos que sobem, como carros de passeio, 4×4 e motos.

E depois de uma bela pedalada, estava de volta ao centro de Ilha Bela, faminto, sujo e cansado, porém feliz em conhecer lugares novos e que te deixam tentado a voltar mais vezes.

 

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