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Guará – Cunha – Ubatuba / Parte III

Acordei cedo e, depois de um delicioso café oferecido por Nirav, já estava pronto para cair na estrada. Muitas subidas me aguardavam neste dia.

O sol despontava tímido por entre as montanhas de Cunha e o frio ainda reinava. Em poucos minutos cheguei a SP-171 e segui sentido Paraty. Havia feito parte desse trecho no dia anterior e sabia que, pelo menos, os próximos 6km seriam de muitas subidas. Na verdade, os próximos 20km…

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Nirav e a GT. Sujeito de uma generosidade sem tamanho!

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E quem disse que eu não ia “subir na vida”…

Este trecho entre Cunha e a divisa entre SP/ RJ é de uma beleza indescritível. Longas subidas vão dando lugar a vistas belíssimas de vales e montanhas que se estendem ao infinito. O movimento na estrada era pequeno, vez ou outra um carro passava, acredito que em parte às condições que a estrada se encontrava logo depois da divisa.

Ao longo do caminho, a estrada fica mais estreita e perde o acostamento. Se um veículo de grande porte não ocupar a faixa contrária para lhe ultrapassar com segurança, é aconselhável parar a bike e aguardar fora da pista, preservando a sua integridade. Um retrovisor ajuda bastante nessas horas pois percebe-se o motorista que se aproxima e se o mesmo mantêm uma distância segura ou não. Mas é uma estrada tranquila, acima de tudo.

Encontra-se uma queda d’água no caminho, próximo a mais um marco da Estrada Real, um bom ponto para descansar e seguir viagem. A medida que se sobe, a estrada fechada por árvores dá lugar a uma paisagem deslumbrante cortada por morros e vales.

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Cheguei ao ponto alto da viagem, literalmente. Próximo a divisa com o Rio de Janeiro o GPS marcava 1.551 metros de elevação. Dali em diante seria uma descida vertiginosa, onde toda essa elevação seria reduzida a quase zero nos próximos 15km.

A partir da divisa SP-RIO, o asfalto virou um pavimento de pedras justapostas, que logo depois desapareciam para a chegada de um cascalho traiçoeiro e poeirento. A descida foi ficando mais ingreme e, por entre clareiras, avistei a cidade de Paraty sob um tapete de nuvens. Mais a frente, o caminho virou chão de terra e descia margeando grandes desfiladeiros. Com os freios quase travados, tentava me equilibrar diante do peso que levava. Este trecho entre SP e a descida até Paraty parecia estar em obras e, segundo boatos, seria pavimentado. Porém, conversando com um morador de Cunha, o mesmo disse que não havia vontade política de ambas as cidades em pavimentá-lo. Não sei como esse trecho se encontra atualmente.

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O cascalho...

O cascalho…

...e a trilha.

…e a trilha.

Paraty escondida sob as nuvens.

Paraty escondida sob as nuvens.

No final da descida, o asfalto volta a surgir e a bicicleta a ganhar velocidade entre as curvas. Cruza-se uma ponte sobre um rio e logo aparecem as primeiras casas, um bairro e então uma avenida larga com uma ciclovia. Depois de pedalar um pouco, estou no centro de Paraty. Paro para tomar um lanche e dar sinal de vida para a família. Fico surpreso com a quantidade de alunos que utilizam a bicicleta para chegar a escola, parece uma grande bicicletada.

Hora de partir. Saio da cidade rumo a BR – 101 e sigo sentido o bairro de Trindade. A rodovia possui acostamento, apesar do mato tomar algumas vezes 2/3 dele, é um local tranquilo para se pedalar. Nos trechos de subidas, o acostamento desaparece, e o retrovisor ajuda a manter o olhar atento. Depois da entrada para o bairro de Trindade, há um boa serra até alcançar novamente a divisa de SP. Ela é razoavelmente longa, apesar de não ser tão íngreme.

Chego novamente a SP, e começo a descer rápido pelo acostamento. E que bela descida. No meio do caminho, uma grata surpresa, avisto outro cicloturista. Ele grita “COLOMBIA”, e eu, sem saber o que responder grito “BRASIL”. Ele subia e eu descia e não havia como estender o diálogo. Digo um ‘boa viagem” ao que ele responde algo que não consegui escutar. Mais a frente, chego ao meu destino naquele dia, a Praia da Fazenda, em Ubatuba, com sua extensa faixa de areia.

O saldo desse dia foi um total de 81km. Chegava em Ubatuba com o céu fechado e logo a chuva começou a cair, dando apenas o tempo necessário para que eu armasse a barraca. Fiquei no camping Caracol, a única opção na praia da Fazenda, que pertence a uma área de proteção ambiental. Por esse motivo, o camping não possui energia elétrica e os geradores são ligados à noite para esquentar os chuveiros e oferecer um período de luz, até serem novamente desligados. A estrutura do camping é bem básica, oferecendo além dos chuveiros, um fogão com gás e pia. Leve seus talheres e panelas. Não há comercio no local ou ao longo da praia e as merceárias mais próximas ficam a alguns kms.

Praia da Fazenda

Placa indicativa da entrada do Parque

Praia da Fazenda

Praia da Fazenda

As tralhas...

As tralhas…

Chove chuva!

Chove chuva!

Fiquei duas noites na Fazenda e, nesses dois dias, a chuva caiu sem trégua, colocando por água abaixo qualquer plano que eu tinha em fazer trilhas a pé pela região. Em silêncio, xinguei a mim mesmo inumeras vezes por não ter levado um livro ou alguma leitura mais substancial para matar o tempo. Distante de tudo e sem as distrações do nosso cotidiano louco, os pensamentos vagueiam. Surgem planos, objetivos, rascunhos de projetos e uma saudade boa de quem ficou e espera nosso retorno.

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Altimetria do trajeto entre Cunha (camping) e Ubatuba (Praia da Fazenda).

 

No dia do retorno a SP, levanto cedo e para minha surpresa a chuva dera uma trégua. Do camping até o centro de Ubatuba, pedalo por cerca de 37km. O trajeto possui acostamento e, por ser numa sexta e em baixa temporada, estava bem tranquilo. Há diversas entradas pelo caminho e com tempo, é possivel conhecer outras praias pela região, como a do Prumirim, que também dá nome a cachoeira que existe ali.

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Mirante

 

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Mirante

 

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Lembrete: comprar par de alforges maiores…

 

Duração da viagem: 05 dias, sendo 01 de descanso.

Hospedagem: Camping estruturado

Distancia total percorrida: 230km, aproximadamente.

Guará – Cunha – Ubatuba / Parte I

O post a seguir, dividido em três partes, narra a cicloviagem que fiz passando por um trecho da Estrada Real que sai de Diamantina/ MG e vai até Paraty (caminho velho) ou Rio de Janeiro (caminho novo). O trecho escolhido foi o que leva até a cidade de Paraty/ RJ.

A ideia era sair de Guaratinguetá, pedalar até Cunha e depois Ubatuba, passando antes pela cidade de Paraty.

Resolvi estrear nessa viagem minha GT Talera, bike de cr-mo dos anos 90 na qual fiz algumas adaptações simples, como a colocação de um bagageiro dianteiro, e um guidão Butterfly, dífícil de regular mas muito confortável na estrada. Esses guidões possuem diversas formas de pegada, algo muito importante quando se pedala por longos trechos e se faz necessária a movimentação das mãos para se evitar a dor  e também o desconforto na postura.

Logo que começei a organizar toda a tralha na magrela, vi que meus alforges de 35l não seriam suficientes e mesmo com itens mais volumosos na frente, ainda tive que improvisar uma mochila por cima dos alforges traseiros. Nada que uns elásticos não resolvam.

GT Talera carregada saindo de Guará...

GT Talera carregada saindo de Guará…

Peguei o ônibus na Rodoviária Tietê em SP rumo a Guaratinguetá, numa manhã de segunda-feira fria de junho. Cheguei na cidade por volta das 10h da manhã e após descarregar toda a minha muamba, começei o ritual de montar a magrela e alforges, para o deleite dos curiosos. Começei a pedalada rumo a Cunha por volta das 11h, pegando a SP-171, Rodovia Paulo Virgínio. A estrada começa em um trevo bem próximo a rodoviária, seguindo as placas não tem como se perder. A rodovia estava em ótimas condições, bem sinalizada e com acostamento. Fiz esse trecho num dia de semana e conversando com um morador que pedalava também pelo acostamento, fiquei sabendo que eram os melhores dias, pois a estrada ficava pouca movimentada. Mas antes de chegar em Cunha, teria uma bela serra pela frente…

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Tudo que sobe, um dia tem que descer…

Pelo registro acima dá pra ter uma ideia das belas subidas (e descidas idem) que se encontra pelo caminho.

Optei pelo kit barraca+isolante+saco de dormir e foi uma boa escolha. Pesquisando pela net, descobri o camping ChacraZen em Cunha, talvez o único por aquelas bandas. Como a viagem seria no inverno e vi que a temperatura na região beirava fácil a casa dos 10º, improvisei um Liner, uma espécie de segundo saco de dormir, só que mais fino. O liner vai por dentro do SD e tem a função de aumentar a temperatura. Comprei um tecido chamado velboa e depois de uma visita a costureira, estava pronto meu liner caseiro. Ficou com cerca de 600gr, mais pesados que os liners encontrados no mercado, só que umas 10x mais barato também!

Essa famosa serra que leva para Cunha, saindo de Guaratinguetá, possui paisagens belíssimas. Vale a pena o esforço das subidas, quando nos damos conta do incrível lugar que nos cerca. Aproveite a vista e pedale sem pressa. Existem poucos restaurantes pela estrada e longos trechos sem casas ou comércio. Leve bastante água, se alimente com regularidade e uso protetor, pois o sol lhe fará uma bela companhia pelo caminho.

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Com essa vista, não há como não parar para descansar…

Nos trechos de serra, o acostamento cedo lugar a uma faixa extra para quem sobe. Por ser num dia de semana, o transito estava bem tranquilo e com poucos caminhões na estrada. Aproveitei para usar pela primeira vez um retrovisor e a única coisa que posso dizer é que já devia ter usado isso antes! É uma mão na roda poder avistar os veículos com uma boa antecedência, sem ter que virar a cabeça ou fazer qualquer malabarismo em cima da magrela pesada. Já próximo a Cunha, as subidas ficam ainda mais ingremes (vide gráfico), e descer da bike e empurrar se torna quase que uma obrigação, quando se leva muito peso.

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Foto clássica…

Depois de 4h de pedal, aproximadamente, cheguei ao Camping ChacraZen. Local simples, porém, incrivelmente aconchegante. Os irmãos Deva e Nirav, que cuidam do local, são muito boa gente. Ficaria apenas um dia mas acabei ficando dois, pois gostei muito do lugar e seria perfeito para descansar e conhecer um pouco mais a região. Fim do primeiro dia de pedal.

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Camping ChacraZen, em Cunha/ SP.

Bagageiro dianteiro DIY

De uns tempos pra cá, venho pensando na possibilidade de utilizar um bagageiro dianteiro na bike como uma forma de distribuir melhor a bagagem, além de liberar espaço no alforge traseiro, passando itens volumosos, como sacos de dormir, para a frente. Pretendo fazer uma cicloviagem de uns 5 dias nas próximas semanas e analisando o alforge que possuo (34 litros), e tendo em vista que irei acampar todos os dias, vi que teria problemas com espaço na bike, ou melhor, a falta dele.

Nesse sentido, um bagageiro dianteiro se mostrou uma boa alternativa versus a compra de um novo alforge. Mas, qual modelo escolher?

Nas pesquisas que fiz pela net, encontrei diversos modelos. Infelizmente, a maioria deles não é vendido no Brasil. Mas existem algumas opções e os modelos que mais encontrei para venda foram:

Ostand modelo CD-241

Ostand modelo CD-241

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Ostand modelo CD-220

Como a bike que uso para cicloturismo possui furação para v-brake, fiquei tentado a comprar o modelo CD-220, mas… a gambiarra falou mais alto!

Num certo dia, pedalando por ai, avistei um senhor que apanhava materiais reciclados na rua e o que me chamou a atenção era que ele carregava um bagageiro consigo. Era o que precisava. Acho que aquele senhor nunca viu alguém tão interessado em algo aparentemente inútil. Comprei o bagageiro e já começei a pensar em como iria instalá-lo.

O bagageiro estava com uma de suas astes danificadas, mas como o projeto era utilizar somente algumas partes, isso não foi problema.

O modelo utilizado era semelhante a essa da imagem abaixo, porém, ao invés das tubulações serem fixas, eram presas por parafusos allen, o que facilitou na hora de adaptar para a magrela.

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As fotos abaixo são bem auto-explicativas, mas qualquer dúvida, é só postar nos comentários.

Lembrando que há diversos projetos de bagageiros dianteiros pela web e inclusive alguns serviram de inspiração para este. Vale uma pesquisada antes para ver qual projeto se adapta melhor a você e sua bike.

Ainda preciso fazer alguns ajustes e um teste de uso para ver como ele se comporta com carga.

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Visão geral do bagageiro instalado.

Detalhe da fixação no garfo. Utilizei um parafuso com uma arruela soldada a ele.

Detalhe da fixação no garfo. Utilizei um parafuso com uma arruela soldada a ele.

Detalhe da fixação no garfo. A peça braca em "L" é parte de uma "mão francesa" para prateleira, cortada e furada.

Detalhe da fixação no garfo. A peça branca em “L” é parte de uma “mão francesa” para prateleira, cortada e furada.

Detalhe dos parafusos que fazem parte da sustentação do bagageiro

Detalhe dos parafusos que fazem parte da sustentação do bagageiro

 

Gambiarra

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Cicloviagem – Parati-Angra-Ilha Grande

Essa foi a primeira cicloviagem que fiz sozinho. Havia feito, até então, algumas descidas ao Litoral de São Paulo e a cidades próximas, como Bragança Paulista, acompanhado de um grupo de amigos ciclistas.

Fiz esse trecho em Julho/ 2013, saindo de Sampa numa segunda e voltando na sexta da mesma semana.

Lembro que nessa época estava um clima frio, e mesmo sabendo que meu destino eram as praias da Ilha Grande, insisti na possibilidade de que o tempo mudaria milagrosamente e, assim, pegaria alguns dias de sol. Pura inocência!

Como seria minha primeira viagem sozinho, tratei de providenciar alguns equipamentos necessários, dentre eles, um par de alforges.

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Alforge Epic Line, 35l.

Os alforges foram um bom custo benefício. Não são impermeáveis, mas nada que uma capa de chuva não resolva. Há um modelo próprio para este alforge, mas acabei utilizando uma capa de chuva de mochila cargueira no melhor estilo gambiarra, e serviu direitinho.

O alforge tem capacidade para 35l (o par), mas acredite, isso pode ser pouco dependendo do tempo que durar sua jornada. Penso agora em investir num com capacidade para 60l, mas isso é assunto para outro post.

Organizei toda a tralha que levaria e parti numa manhã de segunda-feira, rumo ao Terminal Rodoviário do Tietê. Comprei as passagens com alguma antecedência e aproveitei para saber a política da empresa Reunidas Paulista quanto ao transporte de magrelas. Disseram-me que, desde que estivesse embalada, poderia embarcá-la tranquilamente. E foi o que fiz. Levei uma capa de chuva que já possuia e uns papelões e voilá, estava embalada a magrela. Retirei a roda dianteira e abaixei o selim, o que ajuda na hora de acomodar a bike dentro do bus. Uma dica é levar aqueles elásticos com gancho e também tiras de velcro, pois além de serem úteis para gambiarras, possibilitam que você prenda as partes da bike com segurança dentro bagageiro, evitando que ela faça uma manobra radical quando o ônibus estiver a 100km/h e o morista pegar aquele buraco na estrada.

Cheguei em Parati à tarde, por volta das 16h e fui ao hostel Che Lagarto, onde havia feito a reserva. A galera do hostel foi muito gente fina, apesar do pouco tempo que fiquei. A ideia era partir na manhã do dia seguinte, bem cedo. Arrumei toda a bagagem, tomei um banho e fui perambular pelas ruas de Parati, cidade que já conhecia de uma outra viagem que fiz à região.

Estava próximo ao centro histórico, e à noite, é o local mais agitado da cidade, com seus cafés, restaurantes e lojas de artesanato. Há diversas opções de alimentação e para todos os bolsos. Aproveitei para fazer algumas compras do que iria levar no dia seguinte, um pedal de aproximadamente 100km de Parati a Angra dos Reis.

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Acordei cedo na Terça-feira, de madrugada, e foi um grande desafio organizar toda a tralha sem acender a luz do quarto coletivo, onde dormiam mais 5 pessoas. Alguém deve ter me xingado bastante naquele dia. Malas feitas, café tomado, fui arrumar a bike e partir rumo a Angra dos Reis, distante 100km dali. Tratei de levar bastante água, além de alguns doces de banana, paçocas e um pouco de isotônico. O dia prometia ser de tempo nublado, com uma garoa que já teimava em cair naquele momento. Vesti a capa de chuva e parti.

A magrela e suas tralhas...

A magrela e suas tralhas…

Alguns minutos de pedal e cheguei as margens da BR-101, a famosa Rio-Santos. Esse trecho, de Parati a Angra, é praticamente todo com acostamento (ou pelo menos era em 2013). Como viajava em uma época considerada de baixa temporada e ainda com a ajuda do clima frio, peguei a estrada pouco movimentada, o que por um lado foi muito bom. Lamentei apenas o tempo fechado e chuvoso, que não chega a estragar a paisagem, mas tira a coragem para uma parada e mergulho no mar. E por falar em paisagem, esse é um trajeto fantástico, repleto de vistas maravilhosas.

Acostume-se, viajando sozinho, sua bike aparecerá mais que você...

Acostume-se, viajando sozinho, sua bike aparecerá mais que você…

Alguns trechos da Rio-Santos estavam em obra nesse período (Julho/ 2013) e não sei em que pé estão nesse momento, mas nada que atrapalhasse o rolê. Peguei algumas subidas pelo caminho e nesses trechos deve se ficar atento, pois é onde o acostamento desaparece e os caminhões costumam vir para a pista da direita, dando passagem aos veiculos mais rápidos. Sabendo disso, tente ser o mais visível possível: coletes refletivos, camisetas em tons fluorescentes e até luzes. Nesse dia peguei muita chuva pela estrada e tempo fechado, o que acaba dificultando a visão de quem vem pela estrada. Não quis arriscar e deixei uma lanterna em modo pisca na parte traseira da bike.

Logo que sai de Parati, não passaram muitos kilometros e já começei a pegar uma chuva mais forte. Como estava de sapatilha e para não molhá-la, fiz uma gambiarra com sacolas pláticas que vi em um site, o WDE, que além dessa dica, dá muitos outras de como pedalar e se proteger durante chuvas.

Manter os pés secos não tem preço!

Manter os pés secos não tem preço!

E ajudou muito essa gambiarra. Se não fosse minha teimosia em tirar as sacolas mais adiante, acreditando que não iria chover mais (e choveu), chegaria com os pés secos em Angra.

Além das praias e vistas pelo caminho, o trajeto também passa pelo Usina Nuclear de Angra, que fica em uma área protegida pelo exército.

A Usina...

A Usina…

 

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Não desci para conferir, mas parecem ser casas dos funcionários da Usina.

Para se alimentar existem alguns pontos pela estrada, a maioria postos de gasolina, onde é possivel comprar alguns biscoitos, refris e salgados, além de encher a caramanhola com água. Mas, chega a se pedalar uns bons kilometros sem nada pelo caminho então, previna-se.

Mas cadê o ciclista?

Mas, cadê o ciclista?

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Chegando próximo a Angra dos Reis, o tráfego de veículos vai ficando mais intenso e surge também uma espécie de ciclovia do lado direito. Chovia bastante nesse momento e como o trecho era de subida, preferi não disputar espaço com os carros e fui para lá. Essa ciclovia leva até um trevo, onde se tem acesso ao porto de Angra e ao centro da cidade. Fique atento ao trânsito nessa região, que é bem movimentado. Como meu destino era chegar na Ilha Grande, me dirigi até o porto, local onde saem as barcas. Há outras opções para se chegar na Ilha, como barcos menores e um catamarã, mas ao invés dos R$ 6 da barca, você gastará entre R$ 20 e R$40. No centro de Angra há bancos e uma grande variedade de lojas e mercados. Os preços nos mercados da Ilha são um pouco mais altos, devido ao transporte das mercadorias ser feito de barco.

Cheguei cedo no porto e a barca só iria sair dali há algumas horas. Sentado numa área coberta do porto, surgem muitos olhares curiosos e logo alguém pergunta, “você está vindo de onde?”, e ai começa uma das partes legais quando viajamos de bike. Alguns te acham um louco, outros ficam curiosos e dizem ter vontade de fazer o mesmo e, nessas conversas descontraídas, desmistificam-se  preconceitos. E como é bom ver que a bike humaniza as pessoas.

Paguei minha passagem na barca e tive que pagar pela bike também, pois é considerada bagagem extra. Segui, então, rumo a Ilha Grande.

 

Chegada em Angra dos Reis.

Chegada em Angra dos Reis.

De Angra até a Ilha Grande, a travessia de barca dura cerca de 1h30. Se for com o catamarã IGT, são cerca de 45 min. A Ilha Grande é um desses locais que você acaba de conhecer e já pensa quando irá voltar. Bom, pelo menos foi isso que aconteceu no meu caso. Essa seria minha 5ª viagem para a Ilha e um dos objetivos principais seria fazer a trilha Abraão X Dois Rios. Nas outras vezes, fiquei em camping. Dessa vez, fiz reserva no hostel Che Lagarto da Ilha, uma ótima opção também.

A trilha começa na Vila de Abraão, local de chegada da barca e praticamente todos que chegam a ilha. Como carros não são permitidos na Ilha, exceto os de uso da polícia, os de uma unidade da UFRJ que fica em Dois Rios e um ônibus que faz transporte de alguns moradores, você encontrará mais pessoas caminhando pela trilha do que veículos. Pensando nisso, nem precisa dizer que um “bom dia” para os caminhantes que cruzar e uma atenção redobrada nas descidas, em menor velocidade, é o mínimo do bom senso. Basicamente, você irá subir, por cerca de uns 8km e depois descer mais ou menos essa mesma distância.

Nas fotos acima é possível perceber que a minha bike estava sem suspa. Optei por não colocar, a fim de evitar peso extra na estrada e considerando o pouco que andaria na terra (aproximadamente 20km). Mas, na descida da trilha para Dois Rios, me arrependi dessa decisão, pois acaba-se levando muito solavanco da estrada e sua mão apanha mais que bife de segunda. Sugestão: Vá com suspa, pois se for com garfo rígido, e ainda mais se é de alumínio, você terá que descer beeemmmm devagar.

A trilha Abraão - Dois Rios

A trilha Abraão – Dois Rios

Chegando em Dois Rios você irá encontrar uma vila que parece estar abandonada, a não ser pelo guarda que fica na entrada anotando os nomes dos visitantes. Mas, é só aparência. Lá existem alguns moradores, e também uma unidade da UFRJ. Há poucos comércios e quando fui, por ser baixa temporada, encontrei apenas um aberto.

Em Dois Rios, funcionou durante muitos anos um presídio e inclusive é possível conhecer um pouco desse passado através de um museu ali mesmo na vila. Vale a visita! Teve presos ilustres, como Graciliano Ramos e, segundo contam,  serviu de relato para uma das obras do escritor, “Memórias do Cárcere”. Esse passado triste deixou por um lado uma herança positiva que foi a preservação da Ilha nos tempos em que o presidio funcionou.

Praia de Dois Rios. Mais deserta, impossível...

Praia de Dois Rios. Mais deserta, impossível…

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Tá explicado por que se chama Dois Rios…

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Na volta bateu uma fome danada. Passei então numa mercearia e comprei aquele salgadinho pra enganar. Então, de volta a Vila de Abraão, cansado porém feliz.

Na volta para Angra, tive que pegar uma escuna, pois minha passagem estava marcada para as 8h. Dica: compre as passagens diretamente com os barqueiros, o preço é quase sempre menor. Não fiz isso e lá se foram 40 mangos…

Cheguei em Angra cedo. Guardei os alforges no guarda-volumes da rodoviária e fui até um mercado, pegar uns papelões para embalar a magrela.

Tinha que fazer sol só no último dia?! "Deixa pra lá, a Angra é dos Reis"...

Tinha que fazer sol só no último dia?! “Deixa pra lá, a Angra é dos Reis”…

 

Final de rolê e um uma vontade tremenda de se jogar na estrada novamente. É, pelo visto, a coisa não vai parar por ai, felizmente…

 

 

 

“Cicloviajando”

Confesso que o blog estava “meio” parado, pra não dizer quase morto.

Nesse longo intervalo, muitas mudanças aconteceram, dentre elas a descoberta de um novo mundo de possibilidades e descobertas que uma viagem de bicicleta pode nos trazer. Não sou nenhum especialista no assunto, vale lembrar, estou começando nesso universo de cicloviagens.

A ideia é, de agora em diante, postar relatos de algumas cicloviagens que já fiz e as que pretendo fazer. E, talvez, encorajar alguém que, como eu, não enxergava essa possibilidade há algum tempo atrás.

Bora pedalar!

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Mudança…

…nível EXTREME!!!

Via Vortex

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